Orçamento do Flamengo para 2026
O Flamengo ainda não aprovou internamente o orçamento referente ao ano de 2026, mas os números apresentados pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, no final de 2025, oferecem uma visão sobre as projeções financeiras do clube para a próxima temporada. Essas projeções indicam um crescimento nas receitas e altos investimentos no futebol, além de um resultado positivo, mesmo sem levar em conta a conquista de títulos.
Divulgação do Orçamento
O clube não publicou o orçamento de 2025 em seu site oficial, prática que vem sendo adotada desde 2014. De acordo com informações apuradas pelo MundoBola Flamengo, a expectativa é que o mesmo ocorra em 2026. O Flamengo justifica essa decisão mencionando a não obrigatoriedade estatutária de divulgar o documento, e atualmente trabalha apenas com a aprovação interna dos dados financeiros.
Projeção Conservadora
Segundo o presidente Bap, os números apresentados são baseados em um cenário conservador. Durante uma reunião com conselheiros, ele destacou que as projeções financeiras não consideram conquistas esportivas nem receitas extraordinárias, pois o clube opta por trabalhar com uma base segura de arrecadação.
A receita bruta total estimada para 2026 é de R$ 1,801 bilhão. Esse valor é inferior ao que o clube arrecadou em 2025, quando os números chegaram a aproximadamente R$ 2,1 bilhões. Entretanto, é importante contextualizar essa comparação, uma vez que o ano anterior foi impulsionado por vendas significativas de atletas que totalizaram R$ 511 milhões, enquanto a previsão de 2026 não inclui receitas provenientes de troféus conquistados no futebol.
Estimativa de Despesas e Geração de Caixa
No que diz respeito às despesas, o clube estima um OPEX (despesas operacionais) de R$ 1,039 bilhão, que abrange custos operacionais como salários, manutenção, logística e funcionamento geral. Apesar desse montante, o orçamento projeta uma geração de caixa significativa, com EBITDA estimado em R$ 406 milhões de forma recorrente e R$ 551 milhões no total, o que representa uma margem superior a 30%.
Vendas de Atletas como Meta Conservadora
Para o ano de 2026, o Flamengo prevê R$ 256 milhões em vendas de atletas, um montante consideravelmente inferior aos R$ 511 milhões registrados em 2025. Essa diferença não apenas reflete o perfil cauteloso do orçamento, mas também o objetivo do clube de reduzir a saída de jogadores e fortalecer o elenco já vitorioso.
As saídas dos jogadores Juninho, Matías Viña e Wallace Yan podem garantir R$ 97,6 milhões, que correspondem a quase 40% do total previsto para o ano, apenas na primeira janela de transferências. Contudo, é importante ressaltar que a aquisição do lateral depende do cumprimento de metas estipuladas em seu contrato. Além disso, o negócio envolvendo Wallace Yan ainda não está fechado.
A transferência do jogador Victor Hugo para o Atlético-MG deve render mais R$ 13,4 milhões. Portanto, caso Viña alcance as metas estabelecidas e a venda de Wallace Yan se concretize, o Flamengo terá arrecadado R$ 164,2 milhões, restando menos de R$ 100 milhões para atingir a meta estabelecida no orçamento de 2026.
Embora o orçamento não detalhe valores específicos destinados a contratações, os números atualmente envolvidos no mercado ajudam a dimensionar o nível de investimento projetado para 2026. O Flamengo já contratou o jogador Vitão por cerca de 10 milhões de euros (R$ 62,5 milhões) e Andrew por 1,5 milhão de euros (R$ 9,37 milhões). O clube também está em negociações para adquirir Lucas Paquetá, com um valor estimado em 41,25 milhões de euros (R$ 257,65 milhões), além de buscar um atacante com um investimento previsto em até 30 milhões de euros (R$ 187,38 milhões).
Somando esses movimentos, o clube está na faixa de 81,75 milhões de euros (R$ 510,62 milhões) em potenciais gastos com aquisições, sem considerar salários, luvas e impostos relacionados a negociações internacionais.
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Impulsionamento das Receitas Recorrentes e Redução da Dependência de Direitos de TV
Na projeção apresentada por Bap, é possível observar uma mudança clara no perfil das receitas do Flamengo para 2026. Embora os direitos de TV continuem a ser uma fonte relevante de receita, eles estão perdendo protagonismo em relação a áreas que são controladas diretamente pelo clube.
As projeções de receitas do Flamengo para 2026 são as seguintes:
- Comercial: R$ 538 milhões
- Matchday e estádio: R$ 504 milhões
- Direitos de TV: R$ 265 milhões
- Licenciamento e varejo: R$ 95 milhões
- Clube social: R$ 55 milhões
- Comunicação e conteúdo: R$ 5 milhões
O Maracanã se tornou uma importante fonte de receita devido às mudanças implementadas pela gestão, especialmente em relação à melhoria na retenção de receita, que atualmente está em torno de 70%. A área comercial teve um crescimento significativo com o patrocínio da Betano, que se tornou a principal fonte de receita do clube. O licenciamento já se aproxima de R$ 100 milhões e, segundo projeções internas mencionadas por Bap, é esperado que ultrapasse esse patamar. Por outro lado, os direitos de TV foram inseridos de forma conservadora no orçamento, devido às disputas jurídicas em curso com a Libra.
Dívida Controlada e Resultados Positivos
No orçamento projetado para 2026, o Flamengo trabalha com uma dívida operacional líquida de R$ 41 milhões. Esse valor representa uma queda significativa em comparação a 2025, quando a dívida líquida era de R$ 96 milhões.
Apesar da projeção de redução, a fala de Bap revelou uma perspectiva diferente. “Como os 96 não são com banco, não aproveitei a janela do meio do ano para agir de forma mais ousada. Se eu soubesse dos resultados, teria feito o dobro da janela. Mas 96 está errado para um clube que fatura 2,1 bilhões”, afirmou o presidente, defendendo que o clube possui capacidade para operar com níveis de alavancagem mais elevados.
O orçamento para 2026 indica que o Flamengo se encontra em uma posição financeira confortável, com receitas recorrentes elevadas, margem operacional acima de 30% e dívida em queda. Mesmo considerando um cenário conservador, que não leva em conta conquistas esportivas, os números projetados sugerem um crescimento no caixa e espaço para reinvestimentos no futebol.

