Debate sobre a Venda do Maracanã
O debate acerca da venda do Maracanã ganhou destaque na última sexta-feira, dia 25, após a publicação de um editorial pelo jornal O Globo, que defende a privatização do icônico estádio. O editorial argumenta que essa medida traria benefícios ao governo, às torcidas e ao futebol, desde que o comprador preserve o valor histórico do local e mantenha o Maracanã como palco dos principais clássicos do futebol carioca.
Reunião entre Flamengo e Deputados
A publicação do editorial ocorre poucos dias após uma reunião que envolveu o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, e deputados, entre os quais se destacam Rodrigo Bacellar e Alexandre Knoploch, que é o relator do projeto que autoriza o Governo do Estado do Rio de Janeiro a vender o estádio. A proposta já recebeu aprovação na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e ainda aguarda votação em plenário.
Inclusão de Outros Estádios na Proposta
O editorial de O Globo considera “oportuna” a inclusão do Maracanã, do Maracanãzinho, do Parque Aquático Júlio Delamare e do antigo Estádio Célio de Barros na lista de ativos a serem privatizados. O argumento central é que “não faz sentido o governo possuir ou administrar um estádio de futebol”, especialmente diante do alto custo de manutenção e do déficit previsto de quase R$ 19 bilhões para 2026.
Parlamentares que apoiam a venda mencionam o Flamengo como um possível comprador, e o deputado Knoploch já declarou que o Flamengo “é o único com capital financeiro e torcida suficientes para manter o estádio em funcionamento”. O editorial do jornal reforça essa análise, afirmando que o Complexo Maracanã poderia gerar cerca de R$ 2 bilhões para o Estado, um montante que ajudaria a reduzir parte da dívida pública.
"Estima-se que o conjunto formado pelo Estádio Mário Filho, Maracanãzinho, Parque Aquático Júlio Delamare e pelo antigo Estádio Célio de Barros, que é destinado ao atletismo, possa ser vendido por R$ 2 bilhões."
O editorial ainda destaca que, "na ponta do lápis, é menos que o custo de um estádio novo, como o que o Flamengo projeta erguer na região do Gasômetro. Com a vantagem de já haver experiência de clubes na gestão", o que torna a proposta ainda mais atraente.
Dúvidas sobre a Possível Venda do Maracanã
Entretanto, o projeto de venda do Maracanã suscita uma série de questionamentos jurídicos e patrimoniais. O estádio é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde o ano 2000, o que impõe restrições consideráveis a mudanças estruturais e ao uso do espaço.
Além disso, a atual concessão assegura a gestão do estádio ao Flamengo e ao Fluminense até o ano de 2044, com um compromisso de investimento de R$ 186 milhões e um pagamento anual de R$ 20 milhões ao Estado.
O site MundoBola Flamengo entrou em contato com o Iphan para obter esclarecimentos sobre se o tombamento do Maracanã impediria sua venda, se o órgão foi consultado pelo governo sobre essa possibilidade e quais seriam as obrigações de preservação em caso de alienação do estádio. O instituto informou que esses pontos necessitam de apuração interna e que uma manifestação oficial será realizada em breve.
Além disso, questionamentos foram encaminhados ao deputado Rodrigo Amorim, que preside a Comissão de Constituição e Justiça, sobre a manutenção do uso esportivo do estádio, os direitos dos clubes de continuar atuando no local e as prerrogativas do Estado após uma eventual venda. Assim que houver uma resposta, a matéria será atualizada conforme necessário.
Impacto Esportivo e Posição dos Clubes
O Maracanã está sob uma concessão compartilhada entre Flamengo e Fluminense desde 2024, quando esse modelo se tornou definitivo, com validade de 20 anos. A administração do estádio, quando consultada, afirmou que “descobriu o assunto pela imprensa” e que, neste momento, “não há motivo para preocupação”.
Apesar da postura cautelosa da administração, o Flamengo continua sendo um dos protagonistas na discussão sobre o futuro do Maracanã. O editorial publicado em O Globo fortalece a narrativa política que vincula o Flamengo à possível compra do estádio e amplia o debate em torno do futuro do complexo.
Caso o projeto avance e seja aprovado, o governo do Estado terá que lidar com o contrato vigente, as questões relacionadas ao tombamento e o papel social do Maracanã como patrimônio esportivo da cidade do Rio de Janeiro. A proposta, que ainda não possui uma data definida para votação, movimenta tanto o cenário político quanto o esportivo.
A Disputa em Torno do Maracanã
A convergência entre o discurso de deputados e o posicionamento editorial representa um novo capítulo na disputa em torno do Maracanã, que agora é discutido não apenas sob a perspectiva de concessão, mas como um bem público que pode ser transferido definitivamente à iniciativa privada. Este tema deve continuar em evidência em 2026, ano em que ocorrerão eleições.
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