Vitória em Cusco
Vencer na altitude de 3.350 metros de Cusco não foi um resultado obtido por acaso para o Flamengo. A vitória convincente por 2 a 0 na estreia da Copa Libertadores de 2026 demonstrou que as conquistas começam nos laboratórios do departamento médico e na ousadia do planejamento logístico.
Planejamento Médico e Logístico
A avaliação interna do clube carioca é de que a audaciosa estratégia utilizada para enfrentar a altitude funcionou de maneira exemplar. O planejamento médico do Flamengo foi crucial para evitar que os jogadores apresentassem mal-estar antes ou durante a partida, garantindo que a equipe pudesse manter sua imposição física e tática ao longo dos noventa minutos de jogo.
Quartos Pressurizados e Cilindros de Oxigênio
Diferente do consenso médico que recomenda a chegada ao local do jogo algumas horas antes do início, o Flamengo decidiu por pernoitar em Cusco, apostando na tecnologia e em métodos inovadores. A delegação se instalou em um hotel equipado com quartos que possuem tubulações que aumentam a entrada de oxigênio, simulando uma altitude mil metros inferior àquela real.
O investimento em ciência e tecnologia não se restringiu apenas à hospedagem, mas também se estendeu ao desempenho dos jogadores em campo. Durante o intervalo da partida, cilindros de oxigênio foram disponibilizados no vestiário do Estádio Inca Garcilaso de la Vega, sendo utilizados por alguns atletas de linha como uma medida de rápida recuperação.
Na zona mista, o zagueiro Léo Pereira comentou sobre a operação: "A gente usou oxigênio, eu também usei. Tentamos as manobras que temos para ajudar. Toda ajuda é bem-vinda, eles [médicos] estudam e sabem melhor do que nós, a gente só obedece e tenta fazer o nosso melhor."
O defensor também elogiou a estratégia implementada pelo treinador Leonardo Jardim: "Acho que conseguimos nos comportar bem. Estávamos bem concentrados e entramos sabendo o que tinha que fazer: um jogo inteligente, porque a altitude pesa em determinados momentos do jogo, ainda mais se você ficar forçando muito a bola e quiser imprimir velocidade. O saldo é positivo."
Desafios Pós-Jogo
Embora a equipe tenha conseguido suportar fisicamente os desafios impostos pela altitude peruana, com Bruno Henrique e Ayrton Lucas sentindo o cansaço apenas na reta final da partida, o que realmente gerou desconforto entre os jogadores não foi a falta de oxigênio.
Com a temperatura em Cusco próximo aos 8ºC logo após o apito final, a maioria dos atletas se recusou a tomar banho no estádio devido à água gelada que saía das duchas. O problema reportado foi a lentidão do sistema de aquecimento, que se mostrou arcaico e demorou a restabelecer a temperatura após a primeira leva de jogadores utilizarem os chuveiros.
A insatisfação provocada pelo frio gerou até brincadeiras entre os jogadores. Arrascaeta, que marcou o segundo gol da partida, foi um dos que optou por correr de volta para o hotel, localizado a apenas 10 minutos de distância, para evitar o risco de contrair uma gripe. "Ninguém pode se gripar agora, tem muito jogo", brincou o camisa 14 ao justificar sua rápida saída do vestiário gelado.
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