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Atletas paralímpicos do Flamengo fazem desabafo sobre a gestão de Bap após desligamento.

por Robson Caitano
Atletas paralímpicos do Flamengo fazem desabafo sobre a gestão de Bap após desligamento.

Flamengo encerra modalidade paralímpica de remo

O Flamengo iniciou o ano de 2026 com a decisão de encerrar a única modalidade paralímpica do clube, o remo. Essa decisão gerou intensas críticas por parte dos atletas da equipe, que se sentiram desrespeitados pela atual administração do clube.

Críticas dos atletas

Gessyca Guerra e Michel Pessanha, que foram agraciados com o Prêmio Paralímpico 2025 na modalidade de remo, não conseguiram evitar a triste notícia que receberam dias após sua conquista. Em uma entrevista ao portal ‘Uol’, Gessyca expressou seu descontentamento e apontou que a gestão atual do Flamengo não condiz com os valores de inclusão e representatividade que a instituição diz apoiar. "O Flamengo fala sobre inclusão, representatividade em todos os aspectos do esporte. Diz que apoia e compra essa cultura, esse legado, mas isso não é verídico, tanto que extinguiram o para-remo", afirmou a atleta.

Michel Pessanha também compartilhou sua frustração, ressaltando que não recebeu nenhuma explicação sobre a decisão. "Foram 12 anos servindo o Flamengo. Achava que merecíamos algumas explicações, mas não foi assim. Acabou e acabou. O Flamengo tem um departamento social, diz que apoia diversas causas, inclusive a da pessoa com deficiência… Como apoia se não quer no clube?", questionou.

Condições precárias e falta de diálogo

Gessyca também comentou sobre as condições precárias que enfrentou no Flamengo para continuar praticando o esporte que ama. "Nestas tentativas de conversas, cada hora indicavam uma coisa. Em um momento haveria cortes porque estávamos onerando o clube, em outro porque a diretoria não queria mais esporte adaptado. Após o anúncio do Flamengo, falou-se muito em custos: eu ganhava um salário mínimo. E, desde quando comecei, em 2020, fui campeã de tudo pelo Flamengo, remando sozinha ou em conjunto", destacou.

Desabafo de Michel Pessanha

O desabafo de Michel Pessanha foi contundente. Ele iniciou sua fala destacando seus resultados expressivos com a camisa do Flamengo. "Eu nunca perdi um título pelo Flamengo no Brasileiro. Estou invicto desde quando entrei no departamento. Já ganhei Mundial, nos Estados Unidos, vestindo a camisa do Flamengo. Tenho resultados em Copas do Mundo e Mundiais pela seleção", afirmou.

Em seguida, ele questionou a lógica da decisão do clube: "O remo não pode acabar no Flamengo, mas pode acabar com o paralímpico? Acabar com o departamento como se as pessoas fossem descartáveis? Por toda a minha história no clube, deveria ter o mínimo de respeito. Estamos falando de atletas que têm resultados expressivos".

Michel, que possui sequelas da poliomielite na perna e na nádega, afirmou que o verdadeiro motivo do desligamento da modalidade pode estar relacionado à recusa do clube em trabalhar com atletas com deficiência. "O Flamengo está passando por alguma crise financeira que não possa manter os atletas? Não é isso, mas eles também não chegaram e sentaram conosco para conversar e explicar o real motivo. Tinha atleta que recebia um salário mínimo. O real motivo acredito que seja o fato dessa diretoria não querer trabalhar com atletas com deficiência", concluiu.

O fim do para-remo no Flamengo

O anúncio oficial do encerramento da modalidade paralímpica de remo foi publicado pelo Flamengo na semana passada. Além de Michel e Gessyca, outros atletas como Diana Barcellos e Valdenir Junior também se despediram do clube em decorrência dessa decisão, que não foi acompanhada de explicações detalhadas por parte da administração do Flamengo.

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