Criação de Liga Independente de Vôlei no Brasil
A criação de uma liga independente de vôlei no Brasil recebeu novas atualizações com a inclusão da Globo Ventures e da Livemode no processo. Essas empresas demonstraram interesse em participar do projeto que está sendo conduzido pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) e têm potencial para se tornarem sócias da futura estrutura comercial da liga.
Proposta de Investimento
O projeto já contava com a proposta da XP Investimentos, que sugeriu um modelo para captar aproximadamente R$ 70 milhões junto a investidores ao longo do tempo. A proposta é semelhante à estratégia adotada na Liga Forte União (LFU) do futebol, onde parte dos direitos comerciais foi vendida a parceiros estratégicos.
O principal objetivo desse movimento é levantar recursos e organizar a liga de uma forma que seja sustentável, com a participação dos clubes e da CBV como sócios, além de contar com o aporte de capital proveniente de investidores externos. A Globo Ventures, que é o braço de investimentos do Grupo Globo, e a Livemode, uma empresa de mídia esportiva que também é proprietária da CazéTV, manifestaram interesse em contribuir com o projeto. Henrique Netto, que ocupa a função de diretor de marketing da CBV, revelou essas informações em uma entrevista concedida à Sports Insider.
As duas empresas propõem oferecer recursos financeiros e auxiliar na comercialização dos direitos comerciais da competição, o que tornaria o negócio mais estruturado e atraente tanto para os clubes quanto para os investidores.
Desafios a Serem Superados
No entanto, ainda existem desafios que precisam ser resolvidos antes da implementação efetiva dessa liga. As 24 equipes que participam da Superliga deverão avançar em questões relacionadas à governança, padronização financeira e também em relação à infraestrutura mínima dos ginásios utilizados nos jogos.
Outro ponto que precisa ser definido é a forma como a liga será organizada, se como uma Sociedade Anônima ou como uma Sociedade de Propósito Específico, antes de dar início à comercialização dos direitos. Henrique Netto elucidou parte desse processo, afirmando: "A gente precisa da união com os clubes e do entendimento do que se trata. Nós estamos mudando de uma competição com viés mais técnico para um negócio com fins lucrativos, em que a CBV vai ser sócia junto com eles, e os investidores vão colocar recursos para ter retorno sobre o investimento".
Inspiração em Modelo Internacional
A movimentação em direção à criação da liga no Brasil se inspira no modelo adotado pela Federação Internacional de Vôlei, que estabeleceu a Volleyball World em 2021. Nesse contexto, a federação vendeu 33% da operação para a CVC Capital Partners, em um negócio que foi estimado em cerca de 300 milhões de dólares. Desde então, a empresa tem atuado diretamente no desenvolvimento comercial do vôlei em nível global.
A CBV, os clubes e potenciais investidores devem avançar nas discussões ao longo dos próximos meses. A expectativa da confederação é estruturar o modelo e formalizar a parceria com um investidor antes do início da temporada 2026/27, que está prevista para começar em novembro de 2026. Até lá, o foco principal será definir questões de governança, o formato da liga e qual porcentagem dos direitos poderá ser oferecida ao mercado.
Contexto da Criação da Liga
A ideia de criar uma liga independente surgiu em resposta a diversos problemas estruturais e financeiros enfrentados pela Superliga. Os clubes têm lutado contra prejuízos na competição, que na última temporada registrou custos de R$ 17 milhões, enquanto as premiações continuam baixas e a falta de transparência em relação às receitas se torna evidente.
Além disso, as divergências em torno da comercialização de placas publicitárias e o formato da final, que neste ano será realizada em um único jogo a pedido da TV Globo, evidenciam a necessidade de uma organização mais profissional. Dirigentes também destacam que a CBV não tem conseguido vender o produto da Superliga de forma eficaz, citando a ausência de um acordo para naming rights como um exemplo dessa situação.
A nova liga surge como uma tentativa de reorganizar o voleibol de clubes, proporcionando maior autonomia financeira às equipes e atraindo investidores para transformar a competição em um modelo sustentável e mais competitivo.
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