Marcos Braz reconhece falhas em sua trajetória no Flamengo.

Entrevista com Marcos Braz

O ex-vice-presidente de Futebol do Flamengo, Marcos Braz, que recentemente foi promovido à Série A com o Remo, concedeu uma entrevista ao "ge", na qual compartilhou diversos detalhes sobre os bastidores do clube durante sua gestão como dirigente do Rubro-Negro.

Erros envolvendo a tragédia do Ninho

Um dos assuntos mais delicados abordados na entrevista foi a gestão da tragédia ocorrida no Ninho do Urubu. Marcos Braz, que foi o primeiro dirigente a chegar ao local do incêndio em 2019, reconheceu que a diretoria liderada por Rodolfo Landim falhou ao não finalizar as negociações com todas as famílias das vítimas antes do término de seu mandato.

"Acho que a gente poderia ter alguns cuidados a mais do que a gente teve. (…) Independentemente do prazo, um pouco mais ou menos, a nossa gestão deveria ter feito o último acordo. Faltou habilidade em todos os sentidos em relação a isso, é o único ponto", afirmou o dirigente.

Ele também recordou momentos difíceis vividos durante essa situação. "Eu vi cenas que não gostaria que nem meu pior inimigo visse, mas tratamos o assunto como deveria ser tratado. Existiu um comitê de crise instalado e foi isso. Para responder à pergunta, eu acho que deveríamos ter feito o último acordo e não fizemos. Não sei se o diferencial foi grande, nunca participei dessas negociações e não posso ser incorreto, mas deveríamos ter encerrado e não foi feito", completou.

Arrependimento com Ceni e convicção sobre Dorival

A mudança constante de técnicos no Flamengo também foi um tema discutido na entrevista. Marcos Braz expressou um grande arrependimento em relação à demissão de Rogério Ceni em 2021.

"Eu me arrependo muito de demitir e não fui coerente. Eu segurei ele antes de ser campeão, a torcida pedindo para me demitir e demitir ele… Seguro ele, o Flamengo é campeão do Brasil, da Supercopa, tricampeão estadual, e mais na frente por questões internas, pressão de A, de B, eu demiti", confessou Braz.

Por outro lado, ele manteve sua posição sobre a saída de Dorival Júnior, que ocorreu após a conquista da Libertadores e da Copa do Brasil em 2022. O dirigente afirmou que não gostaria de ficar "refém" de uma contraproposta na época. "Eu trocaria de novo", afirmou.

Conflito com torcedor em shopping

Marcos Braz também falou sobre um incidente em que se envolveu com um torcedor em um shopping. Ele reconheceu que poderia ter evitado o confronto, mas justificou sua reação intensa pelo contexto familiar, já que estava acompanhado de sua filha e de amigas dela. O dirigente afirmou que, no confronto físico, o torcedor acabou se machucando por "azar".

Relembrando o ocorrido, que se tornou um caso de polícia na época, Braz destacou que sua postura agressiva surpreendeu o torcedor, que estava sozinho no momento em que a briga ocorreu. "Talvez pelo resultado da briga… Se o mesmo torcedor de torcida organizada, o mesmo, me dá um tapa na cara e um soco, talvez o julgamento desta situação teria sido diferente. Nesta o rapaz levou azar. Naquele momento, ele estava sozinho, mas o deixaram sozinho em função da minha reação do jeito que foi", afirmou.

Embora reconheça o erro de ter reagido com agressividade, Marcos Braz enfatizou que o "gatilho" para a perda de controle foi a responsabilidade de estar com sua filha adolescente no local. Ele contestou as versões que afirmavam que ela não estava presente no momento da confusão.

"Foi um momento que eu poderia ter evitado? Poderia e deveria, como tantos outros… Mas o fato de eu estar com a minha filha no shopping – ela não estava naquele momento porque tinham saído. Querer tirar este fato da minha filha estar com mais duas amigas, eu era responsável por três meninas no shopping, e infelizmente deu no que deu. (…) O fato da minha filha estar comigo eu não posso falar que eu não teria essa reação", explicou.

Braz encerrou o assunto com uma provocação à opinião pública. Para o dirigente, a repercussão negativa foi grande apenas porque ele reagiu. Em sua visão, se tivesse sido a vítima da agressão, a sociedade o trataria de forma mais benévola. "Depois, o rapaz virou um santo, era entregador de delivery, parece que ficou uma semana, dez dias em casa porque estava abatido… É difícil falar desse assunto, é ruim, mas com certeza se eu tivesse tomado um soco na cara, tivesse apanhado, aí a opinião pública, os politicamente corretos iam ficar felizes e eu estaria absolvido deste julgamento em relação a esse episódio. Talvez eu não tivesse que bater, tivesse que apanhar que estava tranquilo", disparou.

Atualmente, Marcos Braz ocupa o cargo de diretor no Remo. Ele já foi diretor de futebol do Flamengo em 2006, vice-presidente do clube entre 2009 e 2010, e de 2019 a 2024.

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