O Peso da Responsabilidade
Quando Lucas Paquetá se dirigiu à marca da cal para realizar a cobrança de seu pênalti na decisão contra o Fluminense, ocorrida neste domingo (8), ele carregava um peso que ia muito além da responsabilidade típica de uma final de Campeonato Carioca. O meia do Flamengo precisava exorcizar um fantasma que o acompanhou desde o início de sua trajetória profissional: a ausência de títulos conquistados pelo time principal do Flamengo.
A Busca por Títulos
Apesar de ser considerado um dos "Crias do Ninho" mais talentosos de sua geração, e de ter uma carreira consolidada tanto na Europa quanto na Seleção Brasileira, a trajetória de Paquetá em finais com o Flamengo era marcada por um timing cruel e pela reputação injusta de ser um jogador "pé frio".
A Maldição dos Vices na Primeira Passagem
Promovido ao elenco profissional em um período de transição no clube, Paquetá se destacou por suas habilidades técnicas. No entanto, ele enfrentou momentos difíceis ao ver sua equipe perder grandes decisões em 2017. O meia esteve em campo durante as dolorosas derrotas na Copa do Brasil, onde o Flamengo foi superado pelo Cruzeiro, e na Copa Sul-Americana, enfrentando o Independiente no Maracanã.
Para agravar ainda mais essa narrativa de destino, Paquetá foi vendido para o Milan no final de 2018. No ano seguinte, em 2019, o Flamengo conquistou uma série de títulos históricos, gerando nos torcedores e no próprio atleta a sensação de um desencontro entre épocas.
O Retorno e o Susto Antes da Glória
O tão esperado retorno de Paquetá ao Brasil reacendeu a esperança de reescrever sua história de fracassos nas finais. No entanto, o início de sua segunda passagem pelo clube parecia um roteiro que se repetia. Integrando um elenco que estava acostumado a vencer, o meia enfrentou novos desafios ao amargar os vice-campeonatos na Supercopa do Brasil e na Recopa Sul-Americana, reabrindo debates sobre sua suposta má sorte em decisões pelo clube.
A Redenção no Maracanã
Toda a carga emocional acumulada foi finalmente descarregada na noite de domingo. Ao converter o pênalti com a frieza adquirida no futebol europeu e ao presenciar o Flamengo superar o Fluminense, Lucas Paquetá pôde, finalmente, soltar o grito que estava preso em sua garganta há quase uma década.
O título do Campeonato Carioca de 2026 representa, oficialmente, a primeira taça conquistada pelo meia no time profissional do Flamengo. Mais do que uma medalha de ouro pendurada em seu pescoço, essa conquista apaga de vez o rótulo incômodo que o acompanhava e sela um reencontro definitivo entre Paquetá, ídolo do clube, e as glórias de seu time do coração. A "maldição" que o perseguia acabou.
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