O Início da Trajetória de Fio Maravilha no Flamengo
João Batista Sales, conhecido como Fio Maravilha, esteve muito próximo de deixar o Flamengo no início da década de 1970. O clube rubro-negro estava em negociações para uma troca com o Grêmio, que envolvia o centroavante Alcindo. Naquele momento, o técnico Zagallo não tinha a intenção de contar com o atacante dentuço, que era conhecido por seu estilo pouco convencional e frequentemente sendo considerado fora de forma.
Apesar dessa situação, Fio Maravilha mantinha uma forte identificação com a torcida do Flamengo, que reconhecia sua dedicação em campo e sua insistência em realizar jogadas muitas vezes improváveis.
O Apelido Crioulo Doido
As tentativas criativas de Fio, que muitas vezes eram incompreendidas, resultaram na atribuição do apelido "Crioulo Doido". Esse termo foi usado de forma recorrente para descrevê-lo durante aquele período. Fio lidava com essa imagem com bom humor, como demonstram relatos da época, e não escondia a consciência de que sua personalidade excêntrica e seu estilo de jogo eram interligados.
O Episódio Marcante no Torneio de Verão
O episódio que mudaria definitivamente a percepção sobre o jogador ocorreu no Torneio de Verão do Rio, em 15 de janeiro de 1972, quando o Flamengo enfrentou o Benfica, de Portugal. Com o Maracanã lotado, o Flamengo encontrou dificuldades durante a partida. Fio começou o jogo no banco de reservas, mas, apesar da pressão das arquibancadas por sua entrada, Zagallo resistiu à substituição até que Arílson se machucou.
Chamado para entrar em campo, Fio Maravilha rapidamente se tornou parte das principais ações ofensivas do Flamengo. Aos 33 minutos do segundo tempo, ele trocou passes com Rogério, fez uma tabela, driblou dois zagueiros e, com um toque preciso, superou o goleiro Zé Henrique, garantindo a vitória rubro-negra por 1 a 0.
Reconhecimento e Renovação de Contrato
A atuação de Fio no jogo contra o Benfica foi tão impactante que Zagallo passou a defender a renovação do contrato do atacante, que estava previsto para terminar em 31 de dezembro de 1971. Em entrevista ao Jornal do Brasil, Fio comentou sobre a forma como era percebido e a imagem que carregava:
“Comigo é assim. Eu acredito em mim, acredito nos companheiros e em Deus. Por isso é que improviso. Às vezes dá errado, aí me chamam de crioulo doido ou imprevisível. Tem gente que me acha apenas engraçado. O que vou fazer se criaram essa imagem de mim?”
O Legado Cultural de Fio Maravilha
O lance decisivo contra o Benfica transcendeu o contexto esportivo e alcançou as esferas da cultura popular. A jogada foi descrita e eternizada posteriormente por Jorge Ben Jor, que transformou o episódio em uma música, levando o nome de Fio Maravilha para além dos limites do futebol e consolidando sua presença na cultura popular brasileira.
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O Processo Judicial
Anos depois de se aposentar do futebol, Fio Maravilha processou Jorge Ben Jor, solicitando uma compensação financeira pelos direitos de uso do seu nome. Desde então, Ben Jor alterou a letra da canção, substituindo "Fio" por "Filho". Essa mudança foi considerada uma grande bola fora por parte do ex-atacante do Flamengo.
O Nascimento de Uma Lenda
Independentemente de questões legais e mudanças na letra da música, a partir daquela tarde de janeiro, o jogo, o gol e a canção ajudaram a consolidar o nascimento de mais uma lenda do Flamengo. Fio Maravilha, com seu estilo inconfundível e suas jogadas ousadas, se tornou um símbolo do clube, sendo lembrado por gerações de torcedores que apreciam seu legado no futebol brasileiro.

