Time, seleção ou indústria de cimento: para reconquistar o mundo, precisamos superar qualquer adversário que surgir.

A Nova Era do Flamengo

É necessário reconhecer, mais uma vez, a transformação significativa que o Flamengo vem vivenciando nos últimos anos. Se há alguns anos, ao final do mês de novembro, comemorávamos a conquista de uma vaga na Libertadores, neste ano, chegamos ao dia dez de dezembro avançando para a próxima fase do Mundial Interclubes. Este não é o primeiro mundial que estamos disputando na temporada. O nível de exigência aumentou, o paradigma se alterou, e o clube, que é querido por muitos, alcançou um status de riqueza que o fez esquecer de alguns antigos conhecidos, com os quais costumava lidar, como a “baixa ambição”, o “pacote de contratações do Ipatinga” e a ideia de participar de torneios apenas para marcar presença, sem a intenção de realmente vencer.

O Sonho do Título Mundial

Antes mesmo dessa ascensão, antes que o Flamengo finalmente deixasse de viver em uma realidade distorcida, onde o maior clube de um país não conseguia honrar suas contas de energia elétrica, o sonho de conquistar um segundo título mundial já existia. Lembramos de tempos em que nosso atacante era Fernando Baiano e ainda assim sonhávamos com o mundo novamente. Quando o camisa 10 era Walter Minhoca, a busca pelo bicampeonato mundial era uma realidade. Mesmo quando Marcelo Cirino expressou dúvidas sobre se conseguiria alcançar o nível de Zico, o foco estava em ir a Tóquio para resolver uma questão importante, e só depois discutir outros assuntos.

Esse sonho teve início exatamente no momento em que conquistamos nosso primeiro título mundial em 1981, com a inesquecível geração liderada por Zico. Desde então, esse desejo deixou de ser um mero devaneio, especialmente com a nova geração formada por Arrascaeta, Bruno Henrique e Filipe Luís, que nos levou a disputar o torneio em três ocasiões, sendo que anteriormente só tínhamos participado uma vez em toda a nossa trajetória.

As lembranças do doloroso vice-campeonato contra o Liverpool, a eliminação vexatória contra o Al-Hilal durante a gestão do técnico Vitor Pereira e a recente campanha na Copa do Mundo de Clubes da FIFA, onde derrotamos o Chelsea, que viria a se tornar campeão, mas fomos eliminados pelo Bayern, ainda estão frescas na memória.

A Quarta Tentativa no Mundial Interclubes

A quarta tentativa de conquistar o título mundial começou hoje, diante do Cruz Azul, do México, na fase do Mundial Interclubes conhecida como “Derby das Américas”, que pode ser considerada uma espécie de quartas de final do torneio. Embora tenha havido entrega de troféus e medalhas, essa fase pode ser vista como parte da ambiciosa quíntupla coroa rubro-negra em 2025, ao lado da Supercopa do Brasil, do Campeonato Carioca, da Libertadores e do Brasileirão.

A partida teve início com um grande show protagonizado por Arrascaeta. O time, no entanto, não apresentou uma atuação brilhante, e vários jogadores pareciam ainda estar em um modo de expectativa, aguardando a chegada de uma possível final. Contudo, o ano iluminado do nosso camisa 10 não parece querer acabar. No primeiro gol, ele recebeu um presente da defesa adversária, e no segundo, mesmo buscando demonstrar humildade, o futebol clamou por Giorgian como artilheiro. Assim, ele foi o responsável pelos dois gols da vitória, que poderia ter sido mais tranquila não fosse a palhaçada orquestrada por Pulgar e Carrascal, que resultou em um gol mexicano.

O Sonho Que Persiste

O sonho que começou em 14 de dezembro de 1981, no dia seguinte à conquista do nosso primeiro título mundial, continua vivo. Já levantamos a Libertadores, garantimos nosso passaporte e desejamos o mundo novamente. Que o destino seja a fábrica mexicana de cimento, que sejam as próprias pirâmides do Egito no fim de semana, que sejam todos os contadores, os petrodólares e as barras de ouro do Fundo Soberano de Investimentos do Catar, que financia o PSG. Reconhecemos que o caminho não é simples, mas também sabemos o que queremos. Algo que parecia distante, mas que agora, com o passar do tempo, vai se tornando cada vez mais próximo.

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